Capa da edição #2: A usina que voltou dos mortos
Edição #2 · 11 de setembro de 2026 Todas as edições

A usina que voltou dos mortos

Nesta edição
Na enquete da semana passada, 32 pessoas responderam se ficou mais difícil contratar: 31% disseram que muito, 22% que ficou mais fácil. Mercado rachado. Nesta edição, dois itens dividem a mesma mecânica, dinheiro público segurando o mundo físico: os EUA religando uma usina nuclear e o Brasil segurando o preço do diesel. O resto não tem eixo: um vazamento de 150 milhões de documentos, uma indústria que o ChatGPT apagou e um recorde de calor.
01 CASES · Negócios

A Universal decidiu deixar o fã mexer na música dos artistas dela, com licença e tudo: a maior gravadora do mundo fechou com a ElevenLabs, empresa de áudio por inteligência artificial avaliada em US$ 11 bilhões, o primeiro acordo do tipo com uma major: uma plataforma onde o fã remixa, mistura e cria versões das faixas dos artistas que toparem entrar, tudo licenciado e com o artista remunerado. É a mesma Universal que, em paralelo, processa a Suno por treinar IA com o catálogo dela sem pedir.

Music Ally ↗
02 CASES · Futuros

O governo americano pagou US$ 1,9 bilhão para ressuscitar uma usina nuclear morta: a Duane Arnold, única usina nuclear de Iowa, fechou em 2020 depois que uma tempestade derrubou as torres de resfriamento, e ia virar sucata porque o gás natural estava barato demais. Agora o Departamento de Energia dos EUA fechou o empréstimo para religá-la até 2029, com comprador garantido: o Google, que assinou contrato de 25 anos para alimentar seus data centers de IA.

Departamento de Energia dos EUA ↗
03 TENDÊNCIAS · Negócios

Aquele scanner que lê seu documento no bar, no hotel e na locadora manda tudo para uma empresa. Ela foi hackeada: a IDScan, verificadora de identidade americana usada por estabelecimentos que vão de bar a locadora de carro, confirmou que criminosos copiaram carteiras de motorista da nuvem dela por mais de um ano, e um site na dark web passou a vender busca em mais de 150 milhões de documentos dos EUA e do Canadá, com foto, nome e número. Até a carteira do secretário de Defesa americano estava lá.

O número de 150 milhões vem do anúncio dos próprios criminosos, apurado pelo jornalista Brian Krebs; a empresa confirmou o roubo, mas não divulgou o total de afetados.

TechCrunch ↗
04 TENDÊNCIAS · Negócios · Brasil

O petróleo passou de US$ 100 e o governo brasileiro vai pagar R$ 7 bilhões por mês para você não sentir: o pacote anunciado quarta pelo Ministério do Planejamento corta o imposto federal da gasolina na bomba e paga uma subvenção por litro do diesel direto a produtores e importadores, tudo por causa da guerra no Oriente Médio, que jogou o barril para cima. O efeito aparece na comparação: desde o início do conflito, o diesel caiu 6% no Brasil e subiu 25% na Alemanha.

A comparação de 6% contra 25% é do próprio governo, que tem interesse em mostrar que a política funciona.

Agência Brasil ↗
05 SINAL DE FUTURO · IA

Um país inteiro vivia de fazer trabalho de faculdade para gringo. O ChatGPT varreu isso em dois anos: no auge, cerca de 40 mil pessoas em Nairóbi, capital do Quênia, viviam de escrever trabalhos acadêmicos para estudantes dos EUA e do Reino Unido, cobrando de US$ 40 a US$ 70 por texto. Quando o aluno descobriu que a IA fazia na hora e de graça, a demanda não migrou para alguém mais barato: desapareceu. Quem continua no ramo viu a renda mensal cair quase pela metade.

Os números vêm de investigação do New York Times, que é fechado para assinantes; o link é de cobertura aberta que a reproduz.

JFeed ↗
06 FERRAMENTAS · IA

A Meta colocou dentro do WhatsApp um agente que pesquisa, negocia e compra por você: batizado de Muse, o agente roda por enquanto só nos EUA e funciona como conversar com uma pessoa: você pede, ele abre o navegador, compara preço, preenche formulário e volta para pedir permissão antes de mandar e-mail ou pagar. Na hora da compra, gera um cartão de uso único por transação, e a loja nunca vê o número do seu cartão de verdade. A versão para os óculos de IA chega ainda neste ano.

Meta Newsroom ↗
07 DADO DA SEMANA · Futuros

Agosto empatou com julho de 2023 como o mês mais quente já medido no planeta: a média global de temperatura do ar ficou em 16,96°C, segundo o Copernicus, serviço climático da União Europeia que mede desde 1940. Foi 1,65°C acima do nível pré-industrial, o primeiro mês a estourar a marca de 1,5°C do Acordo de Paris desde novembro. E veio com o oceano em temperatura recorde e um El Niño forte se formando no Pacífico, a combinação que historicamente mexe com safra, chuva e energia no Brasil.

Copernicus Climate Change Service ↗
O que ainda não sabemos

O único recorte Brasil da semana veio do governo: nenhuma empresa brasileira aparece na edição, e não achei número novo relevante do setor privado nacional dentro da janela. Também não se sabe quanto do pacote do diesel vai de fato chegar à bomba, porque a adesão de produtores e importadores à subvenção é voluntária.

A pergunta da semana

Você deixaria um agente de IA comprar com o seu cartão?

7 pessoas já responderam. Um clique, e você vê o resultado na hora. Na semana que vem eu abro a edição com o que vocês responderam.

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